O que podemos aprender com youtuber que expôs casos de traição

Youtuber Thayane Lima e tenista Thiago Wild

Thayane Lima decidiu ir às redes sociais após flagrar troca de mensagens do companheiro com amigos e outras mulheres

Viver em tempos de internet nos fez remodelar diversos hábitos, do consumo ao comportamento, onde até o mais singelo sentimento ganha novos contornos na era em que tudo vira exposição. Se a parte negativa é o aumento das mensagens de ódio, a positiva é poder acompanhar histórias que, antes sufocadas pela grande mídia, hoje ganham espaço e repercussão nas redes sociais.

Foi assim com Thayane Lima, a biomédica e youtuber, que na semana passada resolveu expor os casos de traição do ex-companheiro, o tenista Thiago Wild, após flagrar conversas em que o rapaz não apenas debochava dela, como ainda comentava os detalhes dos encontros com os amigos, em tom de “conquista”.

Em choque, ela demorou para reagir, tentando buscar uma resposta lógica para tudo aquilo. Só caiu em si quando, ao decidir perdoá-lo, percebeu que ele não apenas seguia falando com uma das mulheres com quem teria se envolvido no período, como ainda passou a tratá-la com indiferença. Foram dias em silêncio até que a influenciadora, que soma mais de 1 milhão de seguidores no Instagram, criou coragem e resolveu contar sua história ao público.

Embora muito bem sucedido em sua carreira como atleta, até então Thiago estava longe de ter — entre o grande público — o alcance que um jogador de futebol, por exemplo, teria. A proporção que a história tomou, portanto, se deve menos à fama do tenista, e mais à identificação que a situação gerou em diversas mulheres que já viveram situações parecidas com a exposta por Thayane.

“Eu estava vestindo um personagem, nem as pessoas íntimas sabiam. Eu tinha vergonha de contar para a minha mãe, para as minhas amigas, para qualquer pessoa”

O Keeping Up Project conversou com a influenciadora, e também com uma psicóloga especialista em relacionamentos, para explicar como esse tipo de situação, que parece inofensiva para quem olha de fora, pode se tornar destrutiva e afetar profundamente o estado emocional e psicológico de uma pessoa.

PRIMEIROS SINAIS

Juntos desde janeiro de 2020, os dois haviam se conhecido em uma festa, através de amigos em comum. O começo da relação, no entanto, em nada se assemelha à forma como tudo terminou.

“A gente não brigava, não tinha problemas de convivência, era tudo perfeito. Aí eu descobri a traição e comecei a tentar entender. Voltei para ler meu histórico de conversas com ele e foi um tapa na minha cara. Eu estava em um relacionamento abusivo e não tinha a mínima ideia disso. [Porque] para mim, era um conto de fadas”, lamenta Thayane.

Na época, ainda envolvida, ela diz que não conseguia identificar os sinais, mas hoje percebe que já existiam atitudes problemáticos do ex, como o fato dele pedir para que ela excluísse fotos de sua página, usando xingamentos para diminuí-la, criticando seu estilo de roupa e até mesmo pedindo para que ela se afastasse do melhor amigo, por ciúmes. “Foi aí que eu percebi que era meio que uma ‘troca’. Ele me dava muitas coisas, muitos presentes, bolsa de grife, sapato de grife e um cartão ‘infinite’ para que eu usasse e comprasse o que quisesse. Mas aí eu parei para pensar que tudo o que ele me dava, custava um preço, eu só não conseguia enxergar isso.”

De acordo com a psicóloga Sandra Baldacci (CRP ‪06/79225‬), esse comportamento, em casos de abuso, é até bem comum e utilizado pela pessoa como uma forma de manutenção do poder sobre a relação. “O agressor geralmente é muito sedutor, muito manipulador. Se ele só te tratar mal, você não vai ficar na relação. […] Pode tentar te conquistar com dinheiro, com carinho, com declarações de amor. Ele, normalmente, vai justificar [essas ações] como um pedido de desculpas, mas aí é importante voltarmos um passinho atrás. É aceitável estar em um relacionamento desrespeitoso? Não é porque ele te dá tudo isso, que pode te xingar, tratar mal ou trair”, ressaltou.

A profissional explica ainda que, para a vítima, de fato não é fácil identificar que está em uma relação abusiva, mas que uma das formas de se precaver é perceber se o relacionamento anda em desequilíbrio, como por exemplo, trazendo mais tristezas do que momentos felizes.

“Nenhuma relação começa abusiva, ela começa muito boa, mas com o passar do tempo vai mudando. Quando a pessoa está em um relacionamento no início, ela está em um ‘encantamento’ e, muitas vezes, fica difícil perceber esses sinais, mas eles existem. O ciúmes excessivo, a insegurança, a possessividade… quando a pessoa começa a te dizer coisas que deixam com a sua autoestima baixa, começa a achar que seus amigos não são bons. E isso passa a acontecer sutilmente. Quando se está nesse ‘encantamento’, se tem a tendência a ver menos as coisas ruins e a filtrar as reações, por isso não é tão fácil. O relacionamento tem que trazer alegria. O problema é que, às vezes, a gente fica acreditando que vai mudar aquela pessoa.”

RELACIONAMENTO ABUSIVO

Para Thayane esse entendimento veio da pior forma, ao constatar, com os próprios olhos, que o marido estava se encontrando com acompanhantes de luxo e participando de festas sexuais.

A desconfiança começou assim que Thiago voltou ao Brasil, depois de quase dois meses fora. Frio e distante, ela conta que acabou creditando o comportamento estranho a um possível cansaço pós viagem.

Sem que as coisas mudassem, a influenciadora resolveu fazer uma oração, pedindo a Deus um sinal para saber o que fazer, e a resposta foi rápida. Com o notebook do atleta em sua mesa de estudos, ela aproveitou a ausência dele — que estava treinando — para olhar as conversas no WhatsApp. Não precisou muito esforço, dois, três cliques e veio o baque, milhares de mensagens que não apenas comprovaram os casos, mas ainda a chocaram pela forma em que ele falava sobre ela, sem qualquer demonstração de carinho, respeito ou afeto.

Ao confrontá-lo, o rapaz ainda tentou negar para não ter que lidar com a situação, mas ao ver os prints acabou não tendo saída senão assumir. “Na mesma hora ele me abraçou, começou a chorar, me pedindo desculpas. Eu não tive reação, nem chorei. Só perguntei o porquê, por que ele havia feito aquilo comigo. Lembrei do meu antigo relacionamento e comecei a me culpar. Pensei: ‘se está acontecendo de novo, a culpa é minha, tem alguma coisa errada comigo’”, lembrou a biomédica.

Sandra explica: “Muitas dessas coisas [que acontecem], vão minando a autoestima da vítima e ela vai achando que está errada em tudo, porque em vez de um gesto de amor, o outro passa a manipular. Em um relacionamento abusivo é como se a pessoa fosse ‘sequestrada’ dela mesma, ela não sabe quem ela é. E com o afastamento da família e dos amigos, ela passa a achar que realmente só tem o outro.”

Mesmo assim, Thayane ainda pensou em dar uma segunda chance para o relacionamento, mas com a recusa do rapaz, viu o perdão se transformar em frustração. “Ele me traiu e eu não tive nem a opção de decidir se eu ia perdoar”, contou, ao revelar que, enquanto ela estava em casa, desolada, ele voltou a se encontrar com as mulheres com quem a traiu e a sair para baladas, tudo devidamente compartilhado nos stories, como se nada estivesse acontecendo.

“Como que a pessoa que vivia comigo, que eu idolatrava, age assim? Fazendo ‘foto de chifrinho’, falando ‘vou com*r’ não sei quem, marcando de trazer mulher aqui em casa e me chamando de corna para os amigos. O que mais me chocou, mais me doeu, foi a falta de respeito e consideração. Eu perguntei para ele ‘alguma vez eu errei com você?’. Virei a Thayne que o Thiago queria, me moldei para viver na vida dele. Ele não pode dizer que eu fiz um suco errado para ele, porque eu não fiz. Tudo eu cuidava dele. Me arrependo de ter aberto mão de mim, de esquecer a minha vida para viver a dele. Quando ele me conheceu, eu era uma pessoa totalmente independente e me diminuí para caber na bolha dele”, lamentou.

O conselho da psicóloga para as pessoas que se identificam com histórias de abuso emocional é, entre outras coisas, buscar ajuda profissional, além de uma boa rede de apoio, entre amigos e familiares, para começar a se desvencilhar e curar, gradualmente, desse relacionamento.

“É lembrar que você existe sem aquela pessoa, porque uma das coisas mais tristes é achar que não vive sem o outro, não conseguir lembrar quem você era ou é, porque [é como se] você só fosse você algo junto com aquela pessoa. […] Não tenha vergonha, não fique sozinha. Essa marca do abuso sempre estará sempre lá, mas a gente pode, sim, transformar a ferida em cicatriz.”

EM SILÊNCIO

Número dois do Brasil e 119 no ranking mundial, Thiago Seyboth Wild, de 21 anos, é tido como um dos nomes mais promissores do esporte. Ele chegou a ser cogitado para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em julho deste ano, mas desistiu por causa de um incômodo no quadril.

O envolvimento em polêmicas, no entanto, também não é uma novidade, no ano passado, quando foi testou positivo para o vírus da Covid-19, a Polícia Civil recebeu denúncias de que o tenista não teria cumprido as normas de isolamento, circulando normalmente, como praticando exercícios na rua e na academia, mesmo estando infectado. Em nota, na época, Wild contou ter feito algumas tarefas externas, mas reiterou não ter tido contato com ninguém e que tudo não passava de um boato.

Thiago ainda não se pronunciou contra as alegações feitas pela ex-companheira, mas segundo o UOL Esporte, um dos patrocinadores do material esportivo atleta, a Asics informou em nota que as acusações vão contra os valores da marca e que a empresa está investigando as alegações.

  • Youtuber Thayane Lima e tenista Thiago Wild
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Matéria construída em colaboração com Jamile Diniz | Kyra.

Publicado por

Jornalista, filósofa de travesseiro e escritora de meia tigela. E, pra piorar, ainda é canceriana, pensa no drama! Nas horas livres reclama da vida, fala de reality e escreve umas bobagens

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