Keeping Up With Marina Ruy Barbosa

Há anos Marina Ruy Barbosa está sob os holofotes: com o passar do tempo, se tornou habitual vê-la estrelar uma campanha de sucesso atrás da outra, ao mesmo tempo em que emplaca grandes papéis na televisão — Sweet Child, Eliza e até a pequena Sabina são alguns exemplos de personagens que habitam o imaginário popular televisivo.

Não é segredo, portanto, que a dramaturgia e a moda são grandes paixões — e talentos — de Marina.

Já manter-se na zona de conforto, não.

Foi em julho de 2020 — quando a situação mundial fez com que ela precisasse desacelerar outros aspectos da vida — que a ruiva decidiu tirar um sonho antigo do papel… e assim nasceu a Ginger, marca que, em suas próprias palavras, surgiu da “dança entre a moda autoral, a paixão pela estética e o respeito pela natureza”.

Mas engana-se quem pensa que a faceta empreendedora de Ruy Barbosa depende exclusivamente de sua imagem enquanto celebridade.

Em entrevista concedida ao Keeping Up Project, Marina explora um pouco dos diversos ângulos que permeiam sua carreira e fazem dela uma profissional plural e completa.

O cabelo ruivo é lindo — disso ninguém tem dúvida — mas é só a ponta do Iceberg!

Keeping Up Project: A dramaturgia e a moda são duas paixões pelas quais você já é amplamente reconhecida. Ainda assim, antes de se tornar um ícone como Marina, você foi aplaudida na pele de Aninha, Sabina, Maria Ísis, Amália e tantas outras personagens. Você acredita que a possibilidade de ‘ser’ várias pessoas por meio da atuação influencia no seu estilo pessoal?

Marina Ruy Barbosa: A atuação me trouxe grandes contribuições do ponto de vista do meu desenvolvimento pessoal — amadurecimento, empatia, saber se colocar no lugar do outro. Sem dúvida, é algo que acrescentou à minha formação e a minha busca para entender quem eu sou. Mas não diria que contribuiu para o meu estilo pessoal, no sentido de me vestir. A moda é uma forma de expressar quem somos, então é um reflexo meu. O meu trabalho como atriz é uma introspecção no papel do outro, é me permitir viver uma história que não é minha. Então, apesar de me trazer muitas coisas positivas, meu estilo pessoal é muito mais uma construção de quem a Marina é como pessoa do que como atriz.

K: Cada vez mais tem sido comum que personalidades famosas abram suas próprias marcas de roupas. Entretanto, apenas uma foi listada entre as 50 startups que mudam o Brasil: a Ginger — marca de moda fundada por você. Como é seu trabalho lá dentro e qual você acredita que é o diferencial da empresa?

MRB: O papel de fundadora é realizador e complexo: minha atuação não se limita a apenas uma área ou assunto — eu preciso estar presente e atuante em tudo, especialmente nesse primeiro ano de empresa. Meu coração bate mais forte pelas áreas de criação e marketing, onde eu acredito que tenho muito a contribuir, mas o cargo de CEO me motivou a amadurecer o meu lado empresário e tomar decisões cada vez mais estratégicas. Hoje, com um ano de empresa, estamos em pleno crescimento. Só em 2020, nosso faturamento cresceu 1010%. É motivo de muito orgulho para mim e para o meu time. A Ginger tem vários diferenciais, na minha opinião: apresentamos uma moda com personalidade, sem nos pautar nas tendências e movimentos do mercado; prezamos pela edição e pelo slow fashion, no contrafluxo do que vemos na moda; apoiamos causas sociais e um olhar voltado para o futuro. São essas e outras características que constroem quem somos e os nossos valores.

K: Seja como atriz ou modelo, o público se acostumou a ver você — desde muito novinha — em frente às câmeras. Como foi o processo de inverter os papéis e trabalhar mais na produção?

MRB: Nos últimos anos da minha carreira eu vinha me envolvendo cada vez mais com ‘os bastidores’. Tenho uma relação muito próxima e aberta com os meus parceiros, que me deram espaço para participar de diversos processos em que uma atriz ou “embaixadora da marca” normalmente não se envolve. Então, de maneira modesta, já estava me envolvendo na criação de produtos, campanhas, planos de marketing. Isso fez com que a minha transição dentro da Ginger fosse muito natural e, honestamente, esperada. Era esse o papel que eu queria ter na empresa, inclusive pra que ela não dependesse da minha imagem. Com isso, a Ginger construiu o seu caminho e caminhou com as próprias pernas. A primeira vez em que apareci em frente às câmeras foi no aniversário de um ano, quando fiz parte da campanha junto com um grupo lindo de modelos new face. Foi uma forma de agradecer o apoio do público e, agora, volto feliz para o meu papel dentro da empresa.

K: A gente sabe que você é muito movida por arte, design, arquitetura e estética no geral. Conta um pouquinho de quais são as suas principais referências: vale tudo! Filme, estilista, modelo, fotografia, cidade, artista…

MRB: Não sei se consigo te dar referências específicas, pois elas variam muito de acordo com o momento que estou vivendo e com a ótica do assunto. Alguém ou algo que me inspira do ponto de vista estético não necessariamente me inspira de outras formas. Acho também que, mais do que ficar presa às mesmas referências, é muito importante saber reciclá-las sempre e estar atenta a novas ideias e perspectivas. Vou dar um exemplo: quando estava lançando a Ginger, uma das mulheres que me sentia conectada era a Jasmin Larian, fundadora da Cult Gaia, pela proposta única e estética própria que ela apresentava ao mercado. Hoje, um ano depois, uma das pessoas que tem me inspirado é o fotógrafo Guy Bourdin – ele foi uma grande referência na nossa última coleção, que tinha uma estética anos 70, com toque teatral e provocativo. Vamos mudando e evoluindo, e nossas referências também.

K: Agora, aproveitando um pouquinho da resposta anterior, conta como você traduz isso nas roupas que cria na Ginger.

MRB: Eu parto do princípio de que tudo o que te move é uma grande inspiração, que pode ser interpretada de várias formas. Às vezes é a estética que fala mais alto, outras vezes é a sensação que aquilo te causa. Na moda, uso muito de referências visuais: os cortes, as silhuetas, as texturas e as cores que escolhemos para a coleção normalmente são pautadas nesses elementos externos. A execução pode ser uma alusão ou homenagem ou pode ser algo que criamos do zero a partir de uma referência. É difícil explicar o meu processo, é tudo muito intuitivo.

K: Lá fora, você é mais conhecida por sua atuação no mundo da moda. Em 2019, durante um desfile da Tommy Hilfiger em parceria com a Zendaya, tivemos a oportunidade de te ver pertinho de Bella e Gigi Hadid — com quem você já foi comparada fisicamente, aliás. Já rolou de você encontrar alguém de quem era muito fã e ficar starstruck?

MRB: Com certeza. A minha carreira de atriz me deu o privilégio de poder participar dos maiores eventos de moda do mundo – e sou muito grata por todas as experiências. Já tive vários momentos de “fã” no Brasil e lá fora; tenho muito respeito e admiração pelas pessoas que trabalham nesse setor. Ter a oportunidade de conversar com grandes designers, diretores criativos e empresários são momentos que guardo com muito carinho. Cada troca foi muito valiosa e que me arrepia só de lembrar. Esse momento com a Gigi, Bella e Zendaya nos bastidores foi demais!

E, já que a gente é do contra, porque não terminar a entrevista com a ponta do iceberg?

K: Seu cabelo é lindo e é sua marca registrada, mas já houve algum momento em que você se sentiu limitada por ele?

MRB: Eu já me senti colocada em certa “caixas” por conta do meu físico, mas é um comportamento que foi muito mais reforçado pelos outros do que por mim. Ser ruiva é apenas mais uma característica minha… Mas já que é tão falada, porque se apropriar e fazer disso uma ‘marca registrada’? Acho que devemos sempre tentar fazer o melhor de cada situação.

Definitivamente, o último ano foi de mudanças para Marina, mas apertar o pause não parece fazer parte dos planos tão cedo: a atriz — que esteve ausente na última edição do Paris Fashion Week — anda super ocupada com as gravações da série “Rio Connection“, onde atuará em inglês ao lado do ator francês Aksel Ustun.

Já no que concerne os negócios e empreendedorismo, Ruy Barbosa também segue a milhão, com vendas de vento em popa e planos de inaugurar uma loja física no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo.

Uma coisa é certa: quando a gente acha que viu tudo, se surpreende novamente.

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Jornalista, geminiana, paulistana & esquisita. Gosto de geopolítica, arte, cultura pop e aleatoriedades em geral. Por aqui, acho importante trazer temas que abordem diversidade, ativismo e outras causas relevantes — além de entrevistas que mostrem lados que as redes sociais nem sempre exploram =) No Keeping, assino meus textos como Kyra, e você pode conhecer mais sobre meu trabalho aqui: https://www.linkedin.com/in/jamilediniz/

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